terça-feira, 26 de outubro de 2010

Falta pouco para o último capítulo.


2010 mostrou mais uma vez que o Brasil ainda não sabe votar para os seus representantes. Pior: as eleições deste ano corroboraram para o fato de que não há como separar o trigo do joio. Por quê? Todos são joio. Sim, concordo com você que afirma que a falta de boas opções para governar os principais cargos políticos deste país é um grande obstáculo no dia em que você precisa apertar a tecla verde da urna eletrônica. Porém, não se vitimize apoiando-se nessa realidade. Desde muito tempo, os brasileiros não sabem o que é votar verdadeiramente. Dois períodos esgarçantes da nossa história - o Estado Novo, de Vargas e o golpe militar de 64 - não estimularam o bastante a sede por democracia. Não estou esquecendo aqueles que lutaram até a morte por ela, pelo contrário, os respeito incondicionalmente, mas, sinceramente, observando o que se apresenta no nosso atual quadro político não considero que muita coisa tenha mudado.

Primeiro, calaram a boca dos humoristas brasileiros que não puderam brincar com algo "tão sério" como o período de eleições. Engraçado, eu ri dessas eleições mesmo com o silêncio do humor. Sinceramente, não entendi muito bem qual era a real dessa medida contra os humoristas ao ver, na TV, o vídeo de candidatura do nosso querido palhaço Tiririca. Para você que pensava, assim como eu, que ele estava morto, o PR ressuscitou uma figura icônica em nossa politicalha. Sim, eu ri muito! Ri mais ainda quando vi um ser extraordinário como este receber cerca de 1.300.000 votos para deputado federal. Agora eu pergunto a você: falta de opções ou desconhecimento ao voto? Não ouça o revolucionário de quinta que diz ser uma forma de reivindicar a situação torpe da nossa política votando num palhaço. Este é mais palhaço que o próprio Tiririca. A verdade é simples: o eleitor não aprendeu a lição. Logo, depois de eleito, a bomba: Tiririca é ou não analfabeto? A mídia fez questão de fazer todo um drama enfeitado em cima desta dúvida. Claro, não vou dormir sem saber isso, e você?! Eu gostaria, realmente, que ele fosse analfabeto mesmo. Que tal eleger um representante oficial de uma das nossas grandes doenças sociais: o analfabetismo? Irônico, não?!

Lá vai. Erenice Guerra ganha um caso escandaloso, capa de várias revistas, muitas reportagens, e pareceu gostar. Em Brasília, a esposa, dona-de-casa dedicada, espectadora assídua do Mais Você, de um dia para o outro torna-se candidata pelas falcatruas de seu querido marido. Serra é atacado com denúncias contra sua filha, e chora, depois  por uma bolinha de papel e um rolo adesivo no bairro de Campo Grande (Rio), não chora mas faz tomografia num hospital de Botafogo. Por que não o hospital Albert Schweitzer, em Realengo, candidato?. Plínio é praticamente um túmulo ambulante nos debates televisivos, coitado. Resultado: Voto unânime nos cemitérios brasileiros. Além disso, vimos o ex-pagodeiro Waguinho que agora é filho do Senhor, a ex-mulher da Furacão 2000, agora Mãe-Loira. Outro ex-pagodeiro, também filho do Senhor, Netinho de Paula, que não quis declarar alguns carrinhos e uma simples mansão. Claro, e a estrela Romário? Sua candidatura "Vote no Romário. Ele já é rico, e não vai roubar" Precisa comentar? Sem esquecer das diversas figuras engraçadíssimas no Horário Político que foram motivo de risos entre jovens nas escolas e universidades. Um verdadeiro picadeiro. Imagine você se os humoristas não fossem silenciados.

No Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o Pacificador, reeleito. Supresa? Não. Chuva de UPPs para a satisfação do povão. Que alegria! No Senado, o rostinho simpático e bem tratado de Lindberg que saiu dos braços do bonde da Baixada ao lado do lendário Crivella, quase um zumbi, sem querer ofender, é claro. Já na presidência, o confronto: Dilma versus Serra. Quem ganhará? De um lado, a bonequinha de Lula, aquela que "dará continuidade aos feitos de nosso presidente". Pense na Dilma sem o Lula! Do outro, o criador dos Genéricos, filho do inesquecível governo de FH, o protegido da maior metrópole brasileira. Pense no Serra sem São Paulo! Eu, realmente, me espanto ao ver como a campanha política desses dois candidatos se tornou uma batalha de trincheiras. Um ataca dali, outro ataca de lá. Agressões a todo custo. Falsidade atrás de falsidade. Mentiras pra lá de escabrosas. Projetos faraônicos para iludir a população. Promessas que nós sabemos que não serão cumpridas. Campanhas que mais parecem filmes hollywoodianos, com efeitos fantásticos, pessoas pagas para chorar e um sorriso esquematizado no computador. E um final pouco incomum: uma verdadeira falta de respeito com o povo brasileiro. Faltam exatamente cinco dias para toda essa novela acabar. Cinco dias para presenciarmos o destino de nossas terras tupiniquins, apesar de todas as pesquisas já apontarem para uma poltrona rosa e um batom vermelho na mesa presidencial do Palácio do Planalto.

Eu, particularmente, não voto em nenhum dos dois porque escolhi não votar já nesse ano. Decidi não fazer parte desta vergonha, por enquanto. Porém, sendo Dilma ou Serra o vencedor, esperamos que saibam governar com segurança e inteligência. Segurança para não errar quando a questão é o povo. Inteligência para entender que o erro, no Brasil, se prolonga por muito tempo. Outros governantes erraram na Saúde, na Educação, na Habitação, na Pobreza. Hoje, o erro continua existindo. Queremos um presidente que olhe para os doentes nos corredores dos hospitais sem pena, que olhe para uma sala de aula com culpa, que vá para a rua e não dê esmola para o pobre mendigo, que não dê um facão para a criança trabalhar, que não plante o heroísmo do tráfico na mente dos jovens. Confesso: no dia 1º de novembro de 2010, eu vou acordar com uma preocupação: O que esse presidente vai fazer com o meu país? Não gostaria de considerar esta resposta que logo virá como fruto de uma realidade inatingível, mas é isto que eu quero presenciar: pacientes bem tratados nos hospitais, escolas preparadas com professores valorizados, pessoas antes abandonadas, agora com uma vida melhor, crianças brincando, sendo exatamente o que são, jovens longe das drogas e das armas que certamente os matariam.

Afinal, quanto tempo mais é preciso para que nós saibamos, de fato, o que é, como, e porquê votar? Cinco dias são desprezíveis para isso. No dia 31 de outubro, você vai se deparar com uma urna eletrônica e não saberá, novamente, o que fazer mesmo pensando que sabe. Não se culpe por isto, não mesmo. Se chegamos a este ponto, certamente, não é porque você é ignorante, acomodado ou burro. Se assim sentir-se, lembre-se que nós dois vivemos num sistema político sujo e mal trabalhado, nascido e criado nas entranhas e no berço da corrupção. Talvez seja realmente difícil saber o que fazer em meio a este verdadeiro ninho de cobras.
Com a licença de Ruth de Aquino, em sua coluna na revista Época desta semana, eu reitero: "Que bom. Falta só uma semana."

2 comentários:

  1. Pois é, a parte final chegou e em minha opinião, o resultado não foi mto satisfatório. Pois é, confesso, preferia o Serra Careca do que a Manca. :) '
    Mas fazer oque né. Brasil quiz assim, e assim será.

    Estou seguindo seu blog, belos textos!!!
    Parabéns e sucesso.
    http://sospresentesparanamorados.blogspot.com

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  2. E o filme finalmente chega ao fim.

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