domingo, 16 de outubro de 2011

O mergulho.


Sozinho. Sentado na areia, de frente para o mar bravio. Tomou coragem e mergulhou:
"O que sou agora aqui embaixo? Eu não existo. Eu vivo. Não sou mais uma criança e isso dói muito mais do que aqueles velhos machucados já cicatrizados. Dizem que cabelos brancos é sinal de velhice e esta, de experiência. Eu digo que não. Digo que não vou esperar ficar velho para me sentir experiente. Idade não enche bagagem. Sou jovem e não sei o que é esperar. Erro muito mais que acerto e já não encontro desculpas, não fujo, não posso mais colocar a culpa no irmão mais velho, na inexperiência, no "sem querer". Não tenho medo de arriscar nada. Estar aqui é prova disso. Apenas respondo por mim mesmo e isso é o mínimo que faço. Ou deveria fazer algumas vezes. Não sou mais o mesmo e não sei até que ponto isso é tão ruim. Peço socorro a mim mesmo, grito, choro, cresço em mim mesmo. Eu sou o meu melhor amigo e sem mim nada seria. Colocar-se em primeiro lugar não é egoísmo. É gostar de si mesmo. É difícil, mas estou aprendendo. As pessoas vem e vão a todo momento, e nem consigo mais acompanhar esse ritmo. Só acompanho aquelas que vem e ficam. Ficam porque me querem bem. Ficam porque me acolhem. Ficam porque sabem que esteja onde eu estiver, estarei sempre com elas. Sim, eu sei que estou mesmo longe, distante de tudo. Preciso de um tempo, de um espaço, mas não mais de um porquê. To mesmo esgotado, cansado, saturado. Enfrento uma batalha contra mim mesmo a cada dia. Pode ser que algo esteja muito errado, ou quem sabe, certo demais. Meu coração acelera.  Se eu não voltar à superfície, vou morrer. Se eu morrer, vou parar de viver e vou só existir. Não agora. Eu não existo. Eu vivo."
Subiu com uma força desconhecida e respirou o ar como nunca na vida.
Saiu dali mergulhado em si mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário